
Eu era o barro, amassado, que se soltou,
Que arrebentou de silêncio...
Fez a língua em nó.
Eu sou o pequeno rastro do teu largo passo,
Da tua pequena lágrima, desatada – na face rasa e só.
Eu guardo teus desejos, lampejos úmidos de suor.
Sou o invólucro – às vezes miserável – despedaçado e menor,
Sou o inteiro disposto, adido – nesse dia sem dó,
Eu sou teu solo e tuas melodiosas em sol maior.
Sou teus pés cultivados... Teu elo e imo;
Eu sou tudo o que sonhas - sou teu plano divino;
Sou hirto, doce, meigo... Eu sou o teu menino.
Eu sou vida de amargura e desengano,
Eu sou terra da unha como a pedra que se punha,
No caminho a esperar teu amor profano.
Eu sou o cravo seco – que de tão - despetalou.
Eu sou o ar dos dias, quando a chuva inundou,
Sou o fluido doce que faz regar a tua flor.
Eu sou a boca remida de mel...
Eu sou o cheiro de amor.
Eu sou o choro triste nas noites escuras do véu.
Eu sou o amargar ríspido da terra,
Eu sou o fim de tudo... E também o teu céu.
Eu sou o segredo desvalido – ainda assim - não terás melhor.
Eu sou pequeno e grande, eu sou o algo pior!
Eu sou telúrico que o tempo fez chão,
E o vento do passado ergueu feito pó.
Trecho do meu livro Reminiscências (Página 40)
Tenho de ler esse seu livro! Lindo demais esse poema Venilton. Vou procurar na Bookess. Parabéns! Bjs
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